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| CHISSANO ESTÁ A SER MARGINALIZADO |
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Quem o diz, é Alexandria, em entrevista exclusiva ao mozculture, onde para além da Galeria de Alberto Chissano, fala também da falta de apoio e de envolvimento do Governo na divulgação da cultura moçambicana, que pode segundo ele, ser engolida pela globalização.
Qual o significado do seu nome artístico? Alexandria, Alex Simões Ferreira, nome artístico que surge na sequência de querer sentir-se mais africano e a sugestão era arranjar uma alcunha ou pseudónimo que não fugisse da base do seu verdadeiro nome.
Como avalias a cultura moçambicana actualmente? É uma questão muito interessante que dava para encher várias páginas de um jornal, mas resumindo, digo que estamos com grandes dificuldades para nos fazer sentir, devido a uma grande insensibilidade da parte de quem de direito, em fazer da nossa cultura um pilar para o desenvolvimento económico do nosso País, para não ficarmos submersos em relação a globalização e essa é uma responsabilidade do Governo, através do Ministério da Cultura, que deve apostar no património cultural e nos artistas que fazem coisas ligadas a nossa tradição para poder educar aos vindouros.
Como é que é reflectida a cultura moçambicana nas tuas obras? A minha família a qual sou grato, é responsável pelos valores morais e culturais que eu transmito em cada obra que é feita pelas minhas mãos, na definição dos temas e na própria execução. Por isso respeito muito aos meus familiares e colegas que conseguem passar este ensinamento de geração em geração e mesmo o tributo feito ao meu irmão apesar da venda também traz um contributo cultura moçambicana.
Quais são as suas influências quando se concentra para esculpir? Eu me espelho em várias pessoas, em vários artistas, comecei a trabalhar com o meu pai, que é o meu mestre, fui aprendendo, investigando e passei a adoptar outros métodos de trabalho para dar realce àquilo que é o meu desenvolvimento artístico. Meu pai é meu ídolo, é meu mestre, me iniciou nas artes mas, tenho outras influências que surgiram da minha convivência com o mundo como o Augusto Rodam, Alberto Chissano e outros. O que significou Alberto Chissano no teu percurso? É um dos escultores que nunca me sai da cabeça quando vou esculpir e mesmo a dormir penso nele quando idealizo uma obra, apesar da marginalização do espaço que é um património cultural e todo indivíduo ligado a cultura deve ser sensível ao espaço pois Chissano ainda merece o nosso respeito.
Vemos referências nas tuas obras a Fion de Vletter, quem é? Quero desde já agradecer ao Fion De Vletter, grande impulsionador da cultura moçambicana, tendo patrocinado recentemente o meu tributo ao meu falecido irmão. É sensível as artes desde que chegou a Moçambique e eu conheci-o em Maputo, no princípio da década noventa. É uma pessoa muito sensível, grande coleccionador e grande conhecedor das artes plásticas e informado sobre o panorama artístico nacional. É uma pessoa que os artistas devem procurar e se aconselhar.
Para quando a sua próxima individual? Estou a trabalhar para o próximo ano, mas ainda está em panela fechada, enquanto o nosso arroz vai cozendo, na procura de parceiros e potenciais patrocinadores. |
| Last Updated ( Friday, 09 October 2009 15:07 ) |




