|
||||
| Tico-Tico pendura as botas |
|
Oitenta e seis internacionalizações, autor do primeiro golo moçambicano numa fase final do Campeonato Africano das Nações (CAN), dezassete anos depois da sua estreia pela selecção Nacional, Manuel José Luís Bucuana, conhecido nos meandros futebol como Tico-Tico, o capitão fez o seu último jogo pelos Mambas deixando o seu lugar de goleador mor para os mais novos, saindo em grande como o jogador que mais vezes representou Moçambique. A sua estreia com a camisola da selecção nacional aconteceu a 12 de Agosto de 1992, em Kinshasa e a sua retirada a 20 de Janeiro de 2010, portanto tudo fora de portas mas, os seus melhores momentos, as suas melhores jogadas, os seus golos foram vividos em casa, no Estádio da Machava, como por exemplo frente ao Malawi quando marcou o segundo golo, que deu a vitória e garantiu a qualificação para o CAN 98, realizado no Burquina Faso. Chegou a selecção principal com apenas 18 anos, no segundo jogo pela equipa de todos nós, 14 dias depois da sua estreia, marcou dois golos diante do Lesotho, a 30 de Agosto de 1992 para as eliminatórias do CAN 94, que teve lugar na Tunísia e aos 37 anos de idade, resolveu parar ao nível da selecção para não se arrastar em campo, deixando os mais novos continuarem com a obra. O capitão dos mambas disse aos seu último jogo, que se sentia satisfeito pelos três CAN’s que disputou nomeadamente na África do Sul em 1996, no Burquina Faso em 1998, em Angola em 2010 e que está confiante na próxima geração pois há jogadores mais jovens que dão garantias de uma boa continuidade, daí não ter receios de pendurar as chuteiras e que o que havia ainda para transmitir aos mais jovens já foi transmitido e o que não conseguiu, o tempo encarregar-se-á de os ensinar.
O que aconteceu no CAN de Angola? Para Tico-Tico, o que falhou foram os níveis de concentração, que ditaram erros cruciais nos três jogos, sofrendo golos que resultaram dos erros da equipa e não do mérito dos adversários, tendo os mambas entrado na competição sem preparação psicológica que era muito importante para os jogadores que nunca haviam jogado um CAN, onde cada erro se paga muito caro. O capitão justifica também que faltou a melhor equipa neste torneio, aquela que garantiu a qualificação, com os jogadores a ressentirem-se da falta de Mano, que é o pilar da defesa, sector mais importante na armada moçambicana, tendo a sua espinha dorsal sido constituída na base de uma defesa sólida, também faltou um Dário Monteiro a 100%, que era a referência do ataque dos mambas e era quem segurava a bola e os defesas contrários.
E o futuro? Manuel Bucuana garante que o amanhã pertence a Deus e que quanto a sua carreira, tem contrato ainda por cumprir no campeonato sul-africano, podendo jogar mais uma ou duas épocas pelo Jomo Cosmos, aos mambas o capitão aconselha primeiro a fazer-se um trabalho psicológico para se recuperar a confiança dos jogadores causada pelas fortes derrotas no CAN 2010. E assim termina mais uma geração, fazendo-se a transição na selecção nacional, fechando-se mais um ciclo, como foi com a geração de Joaquim João, de Chiquinho Conde e vai com certeza abrir-se outra que esperamos possa nos orgulhar de sermos moçambicanos, como o fez tão bem Tico-Tico sempre que entrou em campo, muitas vezes faltando forças, mas sempre dando o seu contributo, muito obrigado Tico-Tico.
|
| Actualizado em ( Segunda, 08 Fevereiro 2010 09:39 ) |









Coment⳩os
Sina RSS para coment⳩os ao tpico.