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| Docarmo abandona a Música |
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Foi com esta nefasta notícia que o repórter da Moz Culture deparou-se na sua busca por informações sobre o paradeiro do majestoso guitarrista moçambicano Docarmo que a mais de um ano não “da as caras”. Veja na entrevista que se segue o que o artista prepara para os admiradores da sua música e o porque do fim da sua carreira como músico. Docarmo é filho de uma família de 9 irmãos, cedo se viu inserido no mundo da música, quando tinha 9 anos grade parte dos seus irmãos frequentava a escola de música da Rádio Moçambique, o que segundo artista, foi o impulso para ali ir parar, integrou as orquestras infantis e juvenis ali formadas e com o passar dos anos aquele tornasse seu dia dia. Em 94 junta-se ao rapper Zito Face, juntos formam a “Dupla Fusão”, que se dedicava a tocar os estilos Fusion e Jazz. Em pouco tempo a dupla fusão se desfaz e o artista aventura-se na produção do seu primeiro e até então único disco, intitulado “Deixe-me Sonhar”. Depois do “Deixe-me Sonhar” Docarmo desapareceu da arena musical, qual foi a razão? Não foi exactamente depois de lançar este álbum, esta paragem foi resultado de uma série de inconveniências, durante a minha carreira tive sempre que conciliar dois artistas em mim, o Docarmo a solo e o Docarmo no grupo Thinkyt, o que para mim era mais difícil, embora já concilia-se os estudos e mais tarde o trabalho com a música. Ainda que fizesse arranjos, o pano caia sempre, era impossível conciliar tudo isto, é quando vejo-me obrigado a apresentar esta dificuldade aos companheiros do Thinkyt e saio do grupo. Fora do grupo continuo a conciliar a música e o trabalho, em pouco tempo supero a mim mesmo e vejo-me obrigado a proporcionar uma determinada qualidade aos apreciadores do meu trabalho, é aqui onde enfrento grandes dificuldades. A que dificuldades se refere? Qualidade vs Tempo, para proporcionar determinada qualidade as minhas composições bem como as minhas aparições em espectáculos eu exijo de mim uma preparação previa, esta preparação só aconteceria se eu tivesse tempo, este tempo é quase que consumido totalmente pelo meu trabalho. Embora nunca tivesse sido um músico de palco, acredito que as pessoas que ouvem os meus trabalhos têm a expectativa de verem-me tocar.
Depois desta paragem, o que ira acontecer, por quanto tempo mais ficará fora dos palcos? Bem…., agora estou em fase final da produção do meu disco, segundo disco, este álbum esta quase pronto a mais de três anos, só não vai a rua por responsabilidade própria, grande parte do trabalho já foi feito faltando a minha parte que é a inclusão da guitarra, esta inclusão não acontece por dois motivos, primeiro porque não consigo atingir a fasquia que foi determinada tanto a nível de produção pelo meu produtor, Zé Pires, como a nível pessoal e ao nível daquilo que acreditamos que o disco esta sem a minha participação completa embora já tenha metido os temas faltam ainda os improvisos, estes que são, no estilo de musica que toco, extremamente importantes, pois é com eles que nos identificamos e nos libertamos.
Quando é que vem a público este trabalho e o que se pode esperar dele? Como varias pessoas já devem estar cansadas das promessas do Docarmo, prefiro não adiantar datas, mas até o inicio do segundo semestre deste ano acredito que o álbum estará pronto, sobre o que o público deve esperar, primeiro muita maturidade, porque embora o primeiro tenha esgotado nas prateleiras, foi produzido em três meses, e este segundo trabalho esta a ser feito a três anos e meio, o que naturalmente pode dar a noção da bomba que vem ai. Estilos, quais estilos compõem este álbum e participações? O meu estilo, se bem que este trabalho é mais Groove, deixando a imaginação de quem o ouve fluir, podemos assumir que esta repleto de musica do mundo. Outra novidade que se pode esperar tem a ver com as composições, grande parte deste álbum é fruto de composições de outros artistas, o que significa que deixei o disco na mão do produtor e dos compositores tendo cabido a mim um papel muito mais passivo ao nível de composição. Nas participações conto com Zé Pires como produtor, Nelton Miranda, Dodo, Bernardo Domingos, Pilecas e outros músicos nacionais. A maior parte dos músicos moçambicanos, com sucesso, que fazem o estilo Afro jazz, fusion, Groove e por ai fora lançaram, trabalharam seus álbuns fora do país, porque não optou pela mesma estratégia, visto que surte resultados positivos? Pelo simples facto de acreditar que dentro do nosso país há qualidade para a produção de grandes obras, exemplo disso são os vários músicos nacionais que estão na diáspora e fazem grande sucesso, casos como Jimmy, Moreira, Mazuze e outros tantos são a prova viva. Esta é a volta do Docarmo? É a volta e o adeus, com este álbum pretendo agradecer aos admiradores da minha música e ao público em geral com o lançamento do disco, realização de alguns espectáculos e por fim a despedida do Docarmo como músico. Porque abandonar a música? Não seria abandono, chamo de atitude sensata, como já disse, a ser músico teria de estar a altura de corresponder as expectativas dos apreciadores da minha música e para isso teria de dedicar-me a tempo inteiro, como esse tempo não existe tenho que ser verdadeiro comigo mesmo e acima de tudo com as pessoas e poder dize-las “não contem comigo” Qual é a mensagem que deixa ficar aos seus fãs? Primeiro deixa-me claramente dizer que não acredito que tenha fãs, a ter fãs seria-me difícil abandonar a música, tenho sim pessoas que apreciam o meu trabalho, a estas pessoas talvez tivesse que pedir desculpas por estar a abandonar a música mas esta não será a minha atitude, irei sim desculpar-me a todos estes pelo facto de não me fazer presente nestes anos por falta de tempo, a partir de já terão consciência de que não me faço presente porque não estou presente definitivamente e não por qualquer outro motivo.
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| Actualizado em ( Quinta, 28 Janeiro 2010 16:09 ) |







Coment⳩os
Esta a trair a classe.
Abraco.
Mas no meu ponto de vista nao gostaria que abandona-ses esse lado que mais gostas... acredito eu que seja a musica... Preferia que levasses os outros 3 a 4, ou mais anos apreparar o teu terceiro disco.
O que mais posso dizer, tou contigo e um bom ano 2010.
Aquele Abraço
Adiodato Gomes
musica& arte
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